Precocidade bovina é a palavra de ordem para produzir mais e melhor

Porque abater animais precoces
terça-feira, Agosto 18, 2020 - 18:30

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Precocidade bovina é a palavra de ordem para produzir mais e melhor

No Brasil, alguns pecuaristas ainda dão pouca ou nenhuma atenção às características agregadas ao produto final (carne), deixando de lado oportunidades de otimização da produção.

 

Além de ganhos esperados em produtividade e giro na fazenda, o abate de animais precoces influencia diretamente na melhoria da qualidade da carne bovina brasileira.

Outro ponto importante é que o mercado chinês (incluindo Hong Kong), principal importador da carne bovina brasileira, compra carne oriunda de bovinos com menos de trinta meses, com preços pagos para essa categoria com ágio de R$ 5,00 a R$ 15,00 por arroba, comparando ao “boi comum”.

Qual o padrão de diferenciação na carcaça de animais precoces? 

As principais exigências quanto à tipificação da carcaça estão distribuídas em três critérios principais:

  • Maturidade: avaliada pela arcada dentária, relaciona a troca dos dentes incisivos de leite por permanentes com a idade cronológica, classificando os animais dentro de categorias em função do número de dentes permanentes, podendo ser 0 (zero) dentes de leite, 2, 4 e 6 (intermediário) e 8 dentes (adulto).
  • Peso de carcaça: varia de acordo com a definição utilizada, mas, em geral, considera-se 225 kg para machos e 180 kg para fêmeas.
  • Acabamento de gordura: mais importante que o peso para abate, o grau de acabamento para essas categorias é avaliado visualmente e, efetivando escores correspondentes à quantidade de gordura que as recobre: escassa (de 1 a 3mm de espessura), mediana (de 3 a 6mm), uniforme (de 6 a 10mm) ou excessiva (acima de 10mm). O escore reflete o grau de gordura na carcaça como um todo. Acabamentos medianos e uniformes são ideais, evitando carcaças com excesso de gordura ou magras, o animal tem maior valorização dada a qualidade das categorias, seja pelos aspectos organolépticos ou visual do corte comercial.

O maior desafio do abate de animais precoces é o grau de acabamento, com uma série de fatores essenciais que influenciam o teor de gordura.

Melhorias das demandas nutricionais e do acabamento de carcaça

A nutrição é um fator decisivo na obtenção do acabamento de carcaça adequado, sendo reflexo da quantidade de gordura corporal que depende da quantidade de energia ingerida.

A quantidade de alimento disponível e seu valor nutricional influenciam diretamente no acabamento.

Técnicas como suplementação proteico-energética, semiconfinamento e confinamento são recomendadas para alcançar índices adequados de acabamento. Porém, por se tratar de um investimento maior, um balanço entre receita e custo deve ser respeitado para a atividade ser justificável.

O desafio é encontrar planos nutricionais eficientes e eficazes, sendo orientados às categorias, grupos raciais, sexos e condições ambientais específicas, otimizando o uso dos recursos nutricionais e obtendo uma relação custo-benefício favorável. O uso de pastagens de boa qualidade deve sempre ser a base dos investimentos em nutrição.

Melhoria de acabamento via uso de genética animal

Genética e nutrição são os fatores que mais influenciam o alcance do acabamento adequado. Além das diferenças entre raças, observa-se diferença individual dentro da mesma raça e essa variabilidade pode ser utilizada a favor do pecuarista.

Hoje, praticamente todas as raças realizam avaliações genéticas para características de acabamento, permitindo melhor escolha pelo produtor.

A escolha da genética deve priorizar, além da deposição de gordura na carcaça, animais com potencial de crescimento adequado.

Ampliação do uso de cruzamentos de bovinos

O cruzamento é utilizado há anos para melhorar o desempenho, eficiência e a qualidade de carcaça e carne no Brasil, normalmente, somando rusticidade de raças zebuínas com características desejáveis de raças taurinas.

O uso da IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) proporcionou o crescimento de cruzamentos, principalmente entre gado Nelore e Angus. O avanço tecnológico trouxe também a possibilidade do uso da técnica de produção de embriões in vitro (PIV), para produção de bezerros cruzados para corte, intensificando os resultados.

A diversidade de condições ambientais, sistemas de produção e objetivos na pecuária nacional abre espaço para a busca de genótipos mais adequados em cada cenário. Tanto entre raças, quanto dentro de cada raça, é evidente a variabilidade em desempenho, qualidade de carcaça, precocidade e rusticidade.

Técnicas de manejo do bezerro na fase pré-desmama

Para animais precoces, a saúde e o bom peso para desmama são essenciais. Os cuidados na fase pré-desmama são importantíssimos e um melhor desempenho contribuirá com a eficiência das fases seguintes. Melhorias no manejo representam aumentos dos custos e devem ser realizadas de forma racional.

A avaliação das tecnologias existentes e o desenvolvimento de novas tecnologias são importantes. A desmama precoce e o creep feeding são exemplos de tecnologias nas quais o uso racional pode contribuir no processo produtivo.
A desmama precoce melhora os índices reprodutivos de matrizes em condições nutricionais limitadas, como primíparas, e a suplementação é essencial entre o período de 110 a 240 dias.

O sistema de creep feeding tem impacto direto sobre o peso para desmama, com suplementação da alimentação de bezerros durante o aleitamento em pequena área dentro do pasto, cercada para que apenas os bezerros tenham acesso aos cochos com suplemento.

Vale mesmo a pena investir no abate de animais jovens?

A carne produzida por animais precoces possui maior valor agregado, é mais bem remunerada e mais amplos são os mercados que se pode alcançar.

Dessa forma, são muitas as vantagens da utilização de novilhos no abate, mas, como qualquer mudança e alteração no modo de se produzir, demanda planejamento e conhecimento técnico sobre o assunto.

Toda a estruturação da propriedade, bem como os manejos que serão adotados, devem ser previamente planejados, pois pequenos contratempos no caminho podem significar grandes prejuízos para o pecuarista.